Cultivo de café no AM pode aumentar produtividade três vezes mais com tecnologia

    A produtividade de café no Amazonas pode ser três vezes maior, com a adoção de tecnologias da Embrapa. Essa indicação é baseada nos resultados da Unidade de Referência Tecnológica (URT) de café em Silves-AM, onde está sendo conduzida uma lavoura de café clonal com a cultivar BRS Ouro Preto (um conjunto de 15 clones de café da variedade botânica Conilon), associada ao manejo recomendado para a cultura.

    Na URT em Silves, a produtividade obtida na média das safras (2017, 2018) é de 4,5 toneladas por hectare (t/ha), ou 75 sacas de 60 quilos/hectare. O resultado é muito superior a média de produtividade no Amazonas, que está em torno de 1,38 (t/ha) ou 23 sacas/hectare, conforme dados do IBGE sobre rendimento médio no estado. Nesta terceira safra, em 2019, os dados baseados no início da colheita indicam a estimativa de superar 100 sacas por hectare, segundo o pesquisador da Embrapa Rondônia, agrônomo Marcelo Curitiba, que integra o grupo que coordena os trabalhos realizados na URT de café em Silves. Dessa unidade, serão recomendados os melhores materiais para plantio na região e em breve serão credenciados agricultores como produtores de mudas para novos plantios.

    A cultivar BRS Ouro Preto tem características adequadas para a Amazônia Ocidental. O pesquisador explica que não basta ter bons materiais genéticos, mas é preciso seguir também as técnicas de manejo recomendadas. "Então o grande diferencial dessa lavoura, é que além de material de qualidade genética, a lavoura também foi bem manejada e assim a gente está obtendo esses resultados promissores", afirma. "Durante esses quatro anos da URT, nós tivemos todas as práticas relacionadas ao manejo principalmente plantio em cova bem feita, com adubação, práticas de manejo de formação como poda, desbrota, além de controle de pragas e doenças, adubação de crescimento e adubação de produção", cita Marcelo.

    Curitiba afirma que cafeicultura pode ser uma ótima oportunidade para produção e geração de renda para agricultores no Amazonas e que o café na Amazônia é compatível para plantio nas áreas abertas destinadas a agricultura, sem a necessidade de abrir novas áreas portanto é conciliável com a preservação da floresta em pé. O pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Edson Barcelos, que atua em projetos de pesquisa para cafeicultura no estado, destaca que o café é uma cultura muito apropriada para a agricultura familiar, existe potencial de mercado e agricultores podem aproveitar áreas destinadas ao cultivo em sua propriedade, para produzir e gerar renda. Um exemplo dado pelo pesquisador Barcelos, é que "uma família cultivando cinco hectares de café, se produzir 50 sacas por hectare, serão 250 sacas, que ao preço de mercado hoje em R$ 300 rende R$ 70 mil de receita bruta por família/ano, com apenas cinco hectares. Isso é muito mais que todas as outras culturas que temos a disposição do nosso agricultor hoje aqui na região", cita.

    A URT de Café em Silves foi implantada em 2015 por meio de parceria entre Embrapa, a Associação Solidariedade Amazonas (ASA), organização formada por agricultores familiares, prefeitura de Silves e , Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam). Essa URT de café é a primeira área de cultivo de café clonal no Amazonas. Na primeira safra, no ano de 2017, foram colhidas na URT 60.4 sacas de café por hectare. Em 2018 a colheita aumentou para 90.4 na mesma área. Nesta terceira safra, em 2019, os dados baseados no início da colheita indicam a estimativa de superar 100 sacas por hectare, informou o pesquisador. Agricultores associados à ASA passaram a colher informações sobre a cafeicultura e também a iniciar seus plantios a partir do café clonal. A partir da URT foi feita a multiplicação de 20 mil mudas repassadas para os associados da ASA, que implantaram lavouras de café clonal e que estão atualmente com menos de um ano de plantio, e em 2019 serão multiplicadas outras 50 mil mudas para novos plantios.

    Existe mercado para compra de café no Amazonas. A empresa Três Corações, está com uma fábrica em Manaus e processa café comprado em Rondônia (variedade Conilon) e em Minas Gerais (Arábica). O gerente industrial da empresa Três Corações em Manaus, José Ailton Lopes, informou que atualmente a fábrica está torrando 6 mil sacas de café por mês e tem um potencial de 50% a mais que esse volume, para atender o mercado de Amazonas e Roraima com grande potencial para expandir. O gerente informou que há interesse em comprar a produção de café Conilon no Amazonas.

    Para dar suporte em informações técnicas para a cafeicultura no Amazonas, além da URT em Silves, "novos experimentos estão sendo implantados em Humaitá, Itacoatiara e Manaus numa parceria entre a Embrapa, Ufam e Fapeam, que vai fortalecer ainda mais essas informações e servir de referência para os produtores que tiverem interessados na cultura do café", afirma o pesquisador da Embrapa, Edson Barcelos. A professora da Ufam, Teresa Lopes, que coordena o projeto de Seleção de clones de Coffea Canephora para o estado do Amazonas, informou que por meio dessa parceria, estão sendo avaliados clones cedidos pela Embrapa Rondônia (que coordena programa de melhoramento genético de café) e esses futuros resultados irão contribuir para a expansão da cafeicultura no estado por meio da recomendação de novos clones para a agricultura.

    O interesse pela cafeicultura no Amazonas tem levado a agricultores e técnicos em busca de informações agronômicas sobre a cultura. Mais de 250 pessoas, entre produtores, técnicos, estudantes, empresários, assistiram palestras sobre tecnologias, orientações sobre a lavoura do café e viabilidade econômica dessa produção no Amazonas, durante o Dia de Campo "A cultura do café no Amazonas", que aconteceu (10/05) na URT de café em Silves, na sede da Associação Solidariedade Amazonas (ASA), no município de Silves (AM).

    O Dia de Campo A Cultura do Café no Amazonas foi uma realização da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), Embrapa Rondônia, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e Associação Solidariedade Amazonas (ASA). Contou com o apoio da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror), Prefeitura Municipal de Silves, Prefeitura Municipal de Itapiranga e patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

    — Agrolink

     

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